Avançar para o conteúdo principal

ÁLVARO GUERRA - RAZÕES DE CORAÇÃO

ÁLVARO GUERRA - RAZÕES DE CORAÇÃO

Razões de Coração está centrada na chamada Guerra Peninsular, quando, na primeira década do século XIX, a França invadiu Espanha e Portugal. O seu subtítulo define o momento e o cenário: "Romance de paixões acontecidas em Mafra ocupada pelos franceses no ano de 1808".
Embora esta obra tenha sido publicada em 1991, a ideia de escrever o romance nasce em 1970, quando Guerra visita um amigo seu que lhe mostra uma pequena jóia da sua biblioteca parisiense. Trata-se do diário manuscrito de um religioso, Frei Pedro Taveira, que, sendo monge do Convento de Mafra, abandonou o claustro quando se aproximavam as tropas invasoras e se instalou em Ribamar, a duas léguas do convento. Ali escreveu, nas margens de um calendário litúrgico, o que acontecia nesse recanto do mundo. Partindo desta pedra basilar, Guerra efectuou uma detalhada investigação sobre o conflito e os costumes da época, incluindo trajes e alimentação.
O rico elenco de personagens inclui alguns que, tal como frei Pedro Taveira, têm a sua raiz numa pessoa real que é depois modelada pela imaginação do autor. Outros são directamente fruto da sua criatividade. Entre eles destacam-se duas famílias. A de António Meneses de Almeida, fidalgo sereno e céptico casado com Beatriz Albuquerque de Sampaio, dama nacionalista de apaixonado patriotismo. Os mais velho, Carlos, milita no partido francês; o segundo, José, é comandante dos guerrilheiros que se insurgem contra os invasores; o mais novo, Pedro, é o capitão da Cavalaria Real. A segunda família é muito diferente. Trata-se de dois irmãos rústicos, Manoel e Mariana da Silveira Maldonado; o primeiro é um pusilâmine que pretende dominar sua irmã - tal como a França com a Península Ibérica  -, e a segunda uma iludida a quem a realidade cobrará um elevado preço.
Em torno destes gira uma trintena de figuras que compõem o complexo mosaico das relações sociais e humanas numa região no meio de um conflito histórico.


     público - maio de 2002

"As suas razões de coração tiveram contra a mesquinhez dos que se deixam ir na crista das vagas do destino e não aturam a desmesura dos sonhos, se eles não acertam pelo passo do rebanho. Não era o deles este tempo, nem espaço."

Comentários

Mensagens populares deste blogue

ARNOLD HAUSER - HISTÓRIA SOCIAL DA ARTE E DA LITERATURA

"Uma obra marcante, cuja riqueza quantitativa e qualitativa pode ser apenas sugerida em uma resenha. O contexto temporal é extraordinariamente amplo... O valor da obra consiste principalmente no fato de que Hauser, fundamentando em um conhecimento preciso de fontes e literatura especializada, reúne resultados excepcionalmente claros da sociologia da arte, da música e da literatura. Com isso, ao lado de uma riqueza de investigação sociológica não específica, são avaliadas as importantes escolas da sociologia burguesa europeia e americana, de Taine , Max Weber , Dilthey , Troeltseh, Simmel, Sombart, Veblen até Karl Mannheim, Levin Schueking e outros críticos. Hauser, além desses pesquisadores burgueses, examina também Marx, Engels, Mehring, Kautsky, Lenin e Georg Lukács e une as descobertas destes às suas próprias observações, dando mostras, assim, de sua imparcialidade. ... Deve-se desejar que sociólogos, assim como historiadores de todas as tendências, estudem cuidadosamente ...

CHARLES FORT - O LIVRO DOS DANADOS

Verdadeiro caos de factos insólitos Onde está precisamente o real? As múltiplas interpretações que um mesmo facto pode gerar, causando desvios surpreendentes entre o possível e aquilo que aceitamos como verdadeira realidade. Charles Fort foi o primeiro escritor que encarou o fantástico e o real em termos de uma continuidade. À sua escola filiam-se Bergier e Pauwels, os autores de o Despertar dos Mágicos. Fort, o apóstolo do excepcional e o sacerdote do absurdo, vem influenciando com o seu trabalho os escritores do realismo fantástico que um peso tão considerável têm exercido contra o dogmatismo cego que sempre se pretende revolucionário. Este inimigo do dogma, através de dados pacientemente colectados das principais fontes de divulgação científica, mostra os conformismos a que se submetem os conciliadores, aqueles que não sabem ou não podem perceber que uma teoria deixa de ser consistente quando não consegue aceitar a maior parte dos factos que a experiência vem a d...

FRANCIS FUKUYAMA - O FIM DA HISTÓRIA E O ÚLTIMO HOMEM

À medida que o século XXI se aproxima, Francis Fukuyama pede que regressemos a uma questão que tem sido levantada pelos grandes filósofos do passado: a história da humanidade segue uma direcção? E, se é direccional, qual o seu fim? E em que ponto nos encontramos em relação ao «fim da história»? Nesta análise empolgante e profunda, Fukuyama apresenta elementos que sugerem a presença de duas poderosas forças na história humana. A uma chama «a lógica da ciência moderna», a outra «a luta pelo reconhecimento». A primeira impele o homem a preencher o horizonte cada vez mais vasto de desejos através do processo económico racional; a segunda é, de acordo com Fukuyama (e Hegel), nada menos do que o próprio «motor da história». gradiva - 2ª edição 1999    Ligações ao livro/autor: http://www.marxists.org/reference/subject/philosophy/works/us/fukuyama.htm https://fukuyama.stanford.edu/ http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u29838.shtml http://observador.pt/2015...

PEDRO BANOS - OS DONOS DO MUNDO

PEDRO BANOS - OS DONOS DO MUNDO Todos os segredos da luta pelo domínio global Como os poderosos manipulam os outros países? Como sobreviver na selva geopolítica? Vivemos uma situação política, económica e estrutural complexa. A Europa não está unida como se previa, a competição entre a China e os Estados Unidos acentua-se e acrescente ameaça da Rússia, a par do crescimento dos movimentos nacionalistas e radicais, são prova de um equilíbrio instável. Por este motivo, a luta pelo domínio global adquire cada vez mais relevância. Partindo de uma análise histórica, Pedro Banos faz um alerta importante sobre as principais ameaças à estabilidade do nosso mundo, atualmente marcado pelas «guerras híbridas», em que se combinam a cotação económica, desinformação, terrorismo, atividade criminosa e subversão para provocar desordens civis e confrontos localizados. Especialista em geoestratégia, revela-nos as táticas e os segredos dos países para dominar e influenciar à escala mundial. ...

ALFREDO MELA - A SOCIOLOGIA DAS CIDADES

A Sociologia das Cidades Alfredo Mela Título original : Sociologia delle città 1ª edição janeiro de 1999 Editorial Estampa Que problemas levantam as grandes cidades do Norte do planeta na transição para uma sociedade do tipo pós-industrial? Que transformações sociais acompanham as profundas modificações dos aglomerados urbanos num mundo dominado pela informação? Com uma introdução didáctica e, ao mesmo tempo, criticamente sagaz ao debate sociológico em curso sobre o urbanismo contemporâneo, o texto analisa o «objecto cidade» como sistema global, passando em revista numerosas dimensões (económica, política, simbólico-cultural, físico-ambiental) estreitamente interligadas no seio de redes de dimensão cultural. O cenário que emerge é o de sistemas-cidades que, imersos em processos de globalização planetária, lutam para manter a identidade e o seu desenvolvimento num ambiente cada vez mais competitivo. Porém, além das considerações optimistas ou apocalípticas sobre a transfo...