SIMONE DE BEAUVOIR - O SANGUE DOS OUTROS

" Contar as vidas humanas, comparar o peso de uma lágrima com o peso de uma gota de sangue, era uma tarefa impossível, mas ele já não tinha que fazer contas, e toda a moeda era boa, mesmo essa: o sangue dos outros. O preço nunca seria caro de mais."

Com a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo, O Sangue dos Outros narra-nos a história de amor entre Hélène e Jean. No entanto, a frase de Dostoievski que inuagura o romance, "Todos somos responsáveis por tudo perante todos", já nos anuncia aquele que será o eixo temático da narração: a responsabilidade do indivíduo na sociedade em que vive, as implicações do compromisso ideológico, o preço a pagar pela liberdade, o papel dos líderes políticos...
Todas estas linhas temáticas têm como pano de fundo as questões filosóficas colocadas pelo movimento existencialista, do qual Simone de Beauvoir, com Jean-Paul Sartre e Albert Camus, foi uma das impulsionadoras.
Embora este romance, assim como outros da autora, suporte uma carga didáctica e teórica por vezes excessiva, o seu estilo, pouco pretensioso e sem floreados retóricos, outorga-lhe uma grande fluidez e naturalidade. A obra oferece-nos, além disso, um interessante retrato da vida parisiense na época da ocupação hitleriana e dos movimentos de resistência que lutavam na clandestinidade contra as tropas alemãs. 
Em 1983, O Sangue dos Outros foi levado ao cinema por Claude Chabrol, num filme interpretado por Jodie Foster e Sam Neill.

colecção mil folhas - público - janeiro de 2003   


MICHEL WINOCK - O SÉCULO DOS INTELECTUAIS

Esta história cronológica dos intelectuais do século XX, centrada em França, não é tanto - embora efectivamente o seja também - uma história de pessoas, ideias e obras como é realmente o relato dos confrontos de ideias entre estes intelectuais, assim como o reflexo das suas amizades e dos seus ódios.
É essencialmente um livro de acção e de acções, em que se descreve os confrontos verbais ou escritos não de velhos sábios muito tranquilos, por vezes exaltados pelos manuais escolares, mas de jovens fogosos que chegam a insultar-se mutuamente e a agredir-se fisicamente.
Através dos anos Barrès, dos anos de Gide e dos anos de Sartre, este livro faz as pazes com a realidade e a simbólica dos acontecimentos, põe a nu a carne destes homens - tenham sido eles grandes actores ou personagens secundários - que, por meio das suas ideias, pretenderam exercer alguma influência sobre o século. Libertando-se dos tons sépia em que já estão envolvidos, uns muito mais outros muito menos, eles reaparecem neste livro singular através dos seus encontros e dos seus confrontos, dos seus animados almoços ou jantares, das suas crispações. E é assim que eles se nos apresentam ora irritados, ora apaixonados, ora malévolos. Criam revistas e jornais que, por vezes, acabam por sabotar. Lúcidos ou partidariamente obcecados, quer exerçam quer não alguma influência sobre os acontecimentos, quer tenham razão quer não, envolvem-se e empenham-se numa ou em sucessivas causas, correndo sempre o risco de virem a desdizer-se ou de serem reprovados.
Para lá de todo este vastíssimo e riquíssimo quadro humano, desfila uma parte considerável da história do século XX, desde o famigerado caso Dreyfus - com o qual o termo intelectual começa a impor-se com toda a nitidez - até à morte de Sartre e de Raymond Aron, deixando em muitos a impressão de se ter chegado à extinção dos intelectuais, coisa em que Michel Winock não acredita.

terramar, 1ª edição novembro de 2000.




    

MICHAEL J.BENTON - BREVE HISTÓRIA DA VIDA

Poucas histórias haverá mais notáveis do que aquela que nos conta a evolução da vida na Terra. Esta breve introdução apresenta-nos um guia sucinto para os episódios chave dessa história - das controvérsias em torno do próprio nascimento da vida até à extraordinária diversidade das espécies que hoje povoam o mundo, fazendo paragens no caminho pelas origens do sexo e da multicelularidade, a mudança para a terra, as extinções em massa e, mais recentemente, a ascensão dos conscientes humanos.
Ao introduzir ideias de uma vasta gama de disciplinas científicas, da biologia evolucionária e da história da Terra à geoquímica, paleontologia e sistemática, Michael Benton explica-nos como podemos montar as peças deste enorme puzzle evolucionário, a fim de criarmos uma imagem actualizada da história da vida na terra.

texto editores - 1ª edição junho de 2010

  

WILLIAM FAULKNER - O SOM E A FÚRIA

" Lá há dias como este no fim de Agosto, em que o ar fica fino e sôfrego como aqui, com um não sei quê de nostálgico, de triste e familiar. O homem é o somatório das suas experiências climáticas dizia o Pai. O homem era o somatório de tudo e mais alguma coisa."

colecção mil folhas - público - outubro de 2002


JOSÉ GIL - PORTUGAL, HOJE O MEDO DE EXISTIR



O objecto do texto aproxima-se mais do que os historiadores chamam "mentalidades" do que de qualquer outra matéria disciplinar. Mas recorre-se a apontamentos etnográficos, a factos e anedotas triviais, a conceitos psicanalíticos e filosóficos, a outros da ciência política, etc. Digamos que, epistemologicamente, o campo explorado é indefinido, com uma transversalidade no trajecto de certas noções que pode ter as suas vantagens.

(...) Enfim, contrariamente ao que pode parecer, nenhum pressuposto catastrofista ou optimista quanto ao futuro do nosso país subjaz ao breve escrito agora publicado. Se não se falou "no que há de bom", em Portugal, foi apenas porque se deu relevo ao que impede a expressão das nossas forças enquanto indivíduos e enquanto colectividade. Seria mais interessante, sem dúvida, mas também muito mais difícil, descobrir as linhas de fuga que em certas zonas da cultura e do pensamento já se desenham para que tal aconteça. Procurou-se dizer o que é, sem estados de alma, mas com a intensidade que uma relação com este país supõe.



das notas finais 
relógio d'água
5ª edição março de 2005


TIM FLANNERY - OS SENHORES DO TEMPO

o impacto do homem nas alterações climatéricas e no futuro do planeta.


Secas, inundações, vagas de calor, incêndios, tornados devastadores, extinção de espécies, a fusão dos gelos polares: que significam ao certo todos os fenómenos que têm vindo a ocorrer, cada vez com mais frequência e intensidade e vão tornando inequívoca uma alteração acentuada dos padrões climatéricos?


editorial presença
1ª edição - setembro 2006

PEDRO BANOS - OS DONOS DO MUNDO