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A mostrar mensagens de Junho, 2016

FILIPE RIBEIRO DE MENESES - SALAZAR UMA BIOGRAFIA POLÍTICA

FILIPE RIBEIRO DE MENESES - SALAZAR UMA BIOGRAFIA POLÍTICA
SALAZAR A POLITICAL BIOGRAPHY

Quais são pois as razões que explicam o desejo de Salazar se manter no poder? Pelo menos até 1961, havia duas razões essenciais subjacentes a esse desejo. A primeira, e mais importante, era uma crença em si próprio como agente providencial; a segunda era a percepção de que, sem ele no centro, o regime, assente numa aliança tecida de um delicado equilíbrio entre forças conservadoras, desabaria. A partir de 1961 e do início da guerra em Angola, surgiu uma terceira motivação: manter intacta a África portuguesa até o Ocidente recuperar o bom senso e começar de novo a defender os seus interesses estratégicos vitais. Salazar orientou-se acima de tudo pela convicção de que se Portugal seguisse outro caminho - o caminho da descolonização e da democracia parlamentar - estaria condenado à extinção.
« Salazar é caso único entre os "grandes ditadores" do século XX na medida em que o seu protagonismo púb…

TRUMAN CAPOTE - BONECA DE LUXO

TRUMAN CAPOTE - BONECA DE LUXO
BREAKFAST AT TIFFANY'S

Em 1958, numa América ainda não imune ao espectro da guerra fria e já marcada por uma certa ânsia de transgressão, Boneca de Luxo parecia consubstanciar verdadeiramente o espírito da época e, ao mesmo tempo, propor uma filosofia de vida capaz de converter os modelos severos da moral puritana numa prática pura da alegria, da "irreflexão", da vitalidade. Holly Golightly, a extraordinária protagonista, é uma rapariga alegremente avessa às convenções sociais e às conveniências, que se orienta nas suas opções por uma profunda moralidade, feita de solidariedade, de gestos generosos, de absoluta falta de malícia, e que, precisamente por isso, infringe as obtusas normas da moral burguesa. Com a pequena corte de indivíduos "esquisitos" de que se rodeia, constitui um núcleo que involuntariamente prefigura uma sociedade diferente, mais aberta e, afinal de contas, mais feliz. Mas o mundo que a circunda não aceita facilmen…

GEORGES MINOIS - HISTÓRIA DO FUTURO

GEORGES MINOIS - HISTÓRIA DO FUTURO (dos profetas à prospectiva)
HISTOIRE DE L'AVENIR

Desde os tempos mais remotos da pré-história, o homem nunca deixou de querer conhecer o futuro e de inventar estratagemas para o dominar. Não era já para assegurar a caça futura que os nossos longínquos antepassados representavam bisontes trespassados de flechas nas paredes das cavernas?  Dos processos de adivinhação inventados pelos povos da Antiguidade até aos métodos «científicos» elaborados pelos prospectivistas actuais, os meios de predizer o futuro são completamente diferentes. Mas cada época sentiu a necessidade de sonhar o futuro, para o melhor e para o pior: houve os falsos profetas da Idade Média, os astrólogos da corte, no Renascimento, ou ainda as mulheres que liam a sina, no Grande Século. Os filósofos das Luzes tentaram, à sua maneira, traçar as grandes linhas do futuro, sem conseguirem matar o irracional: o magnetismo, o sonambulismo e outras formas de espiritismo conheceram um cresc…

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ARNOLD HAUSER - HISTÓRIA SOCIAL DA ARTE E DA LITERATURA

"Uma obra marcante, cuja riqueza quantitativa e qualitativa pode ser apenas sugerida em uma resenha. O contexto temporal é extraordinariamente amplo... O valor da obra consiste principalmente no fato de que Hauser, fundamentando em um conhecimento preciso de fontes e literatura especializada, reúne resultados excepcionalmente claros da sociologia da arte, da música e da literatura. Com isso, ao lado de uma riqueza de investigação sociológica não específica, são avaliadas as importantes escolas da sociologia burguesa europeia e americana, de Taine, Max Weber, Dilthey, Troeltseh, Simmel, Sombart, Veblen até Karl Mannheim, Levin Schueking e outros críticos. Hauser, além desses pesquisadores burgueses, examina também Marx, Engels, Mehring, Kautsky, Lenin e Georg Lukács e une as descobertas destes às suas próprias observações, dando mostras, assim, de sua imparcialidade. ... Deve-se desejar que sociólogos, assim como historiadores de todas as tendências, estudem cuidadosamente este livr…

SIMONE DE BEAUVOIR - O SANGUE DOS OUTROS

" Contar as vidas humanas, comparar o peso de uma lágrima com o peso de uma gota de sangue, era uma tarefa impossível, mas ele já não tinha que fazer contas, e toda a moeda era boa, mesmo essa: o sangue dos outros. O preço nunca seria caro de mais."
Com a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo, O Sangue dos Outros narra-nos a história de amor entre Hélène e Jean. No entanto, a frase de Dostoievski que inuagura o romance, "Todos somos responsáveis por tudo perante todos", já nos anuncia aquele que será o eixo temático da narração: a responsabilidade do indivíduo na sociedade em que vive, as implicações do compromisso ideológico, o preço a pagar pela liberdade, o papel dos líderes políticos... Todas estas linhas temáticas têm como pano de fundo as questões filosóficas colocadas pelo movimento existencialista, do qual Simone de Beauvoir, com Jean-Paul Sartre e Albert Camus, foi uma das impulsionadoras. Embora este romance, assim como outros da autora, suporte uma carg…

PAUL WATZLAWICK - A REALIDADE É REAL?

HOW REAL IS REAL?

A confusão que existe entre comunicação e realidade é relativamente nova. As diferentes visões do mundo que resultam da comunicação, apenas se tornaram uma área independente de investigação em décadas recentes. Um dos autores que nela tem trabalhado é Paul Watzlawick que neste livro apresenta, numa série de exemplos desconcertantes, algumas das suas descobertas.

relógio d'agua 

Ligações :
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Watzlawick
http://www.wanterfall.com/Communication-Watzlawick's-Axioms.htm

FRANZ KAFKA - CONTOS

FRANZ KAFKA - CONTOS

Prólogo e selecção de Jorge Luis Borges
Contos - O abutre - Um artista da fome - Primeira mágoa - Um cruzamento - O escudo da cidade - Prometeu - Um incidente trivial - Chacais e árabes - Onze filhos - Relação para uma Academia - A construção da muralha da China

Do Prólogo de Jorge Luis Borges
« A elaboração, em Kafka, é menos admirável que a invocação. Homens, há apenas um na sua obra: o homo domesticus - bem judeu e bem alemão -, sequioso de um lugar, mesmo que o mais humilde, numa qualquer Ordem; num universo, num ministério, num asilo de loucos, na prisão. O argumento e o ambiente são o essencial; não as evoluções da fábula nem a penetração psicológica. Daí a primazia dos seus contos sobre os seus romances; daí o direito a afirmar que esta antologia de contos nos dá integralmente a medida de tão singular escritor.»     

relógio d'água editores - dezembro de 2005

SINCLAIR LEWIS - BABBITT

SINCLAIR LEWIS - BABBITT

O romance que definiu a vida urbana das sociedades modernas tal como a América a exportou para o mundo. Na altura da sua publilcação, «Babbitt» foi considerado um romance atroz, sem enredo, em que o autor se especializava em criar personagens desagradáveis. Na realidade, o prémio Nobel Sinclair Lewis antecipava o desligamento social da vida nas grandes cidades, a perda de valores, a incapacidade da comunicação, o viver para a imagem e não para a essência.
A vida de George F. Babbitt (apelido que passou a fazer parte do vocabulário dicionarizado do inglês norte-americano) é traçada em pequenos quadros, episódios e anedotas que formam um todo coerente na sua incoerência: dois anos de uma vida. Babbitt é o vendedor imobiliário cuja grande preocupação, «deixar uma boa impressão», é o lema da sua vida. Babbitt não é fiel aos seus valores e ideais, é sim fiel aos dos que o rodeiam.
e-primatur - 1ª edição, fevereiro de 2018 
http://www.e-primatur.com/home

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Sinc…