FILIPE RIBEIRO DE MENESES - SALAZAR UMA BIOGRAFIA POLÍTICA

FILIPE RIBEIRO DE MENESES - SALAZAR UMA BIOGRAFIA POLÍTICA
SALAZAR A POLITICAL BIOGRAPHY

Quais são pois as razões que explicam o desejo de Salazar se manter no poder? Pelo menos até 1961, havia duas razões essenciais subjacentes a esse desejo.
A primeira, e mais importante, era uma crença em si próprio como agente providencial; a segunda era a percepção de que, sem ele no centro, o regime, assente numa aliança tecida de um delicado equilíbrio entre forças conservadoras, desabaria.
A partir de 1961 e do início da guerra em Angola, surgiu uma terceira motivação: manter intacta a África portuguesa até o Ocidente recuperar o bom senso e começar de novo a defender os seus interesses estratégicos vitais. Salazar orientou-se acima de tudo pela convicção de que se Portugal seguisse outro caminho - o caminho da descolonização e da democracia parlamentar - estaria condenado à extinção.

« Salazar é caso único entre os "grandes ditadores" do século XX na medida em que o seu protagonismo público decorreu do seu mérito académico. Que esse mérito tenha tido a oportunidade de se manifestar é o resultado de uma série de escolhas feitas no seu interesse por uma família empreendedora e sensata, que soube aproveitar todas as oportunidades à sua disposição para que Salazar prosseguisse os seus estudos.»  

publicações D.Quixote - 3ª edição outubro de 2010


TRUMAN CAPOTE - BONECA DE LUXO

TRUMAN CAPOTE - BONECA DE LUXO
BREAKFAST AT TIFFANY'S

Em 1958, numa América ainda não imune ao espectro da guerra fria e já marcada por uma certa ânsia de transgressão, Boneca de Luxo parecia consubstanciar verdadeiramente o espírito da época e, ao mesmo tempo, propor uma filosofia de vida capaz de converter os modelos severos da moral puritana numa prática pura da alegria, da "irreflexão", da vitalidade.
Holly Golightly, a extraordinária protagonista, é uma rapariga alegremente avessa às convenções sociais e às conveniências, que se orienta nas suas opções por uma profunda moralidade, feita de solidariedade, de gestos generosos, de absoluta falta de malícia, e que, precisamente por isso, infringe as obtusas normas da moral burguesa. Com a pequena corte de indivíduos "esquisitos" de que se rodeia, constitui um núcleo que involuntariamente prefigura uma sociedade diferente, mais aberta e, afinal de contas, mais feliz. Mas o mundo que a circunda não aceita facilmente a sua ingénua atitude contra a corrente, e Holly será obrigada a pagar por isso: envolvida sem culpa numa questão de droga, acabará por se libertar, mas será abandonada pelo homem com quem estava para casar. E, todavia, o conformismo não triunfa, já que a rapariga parte, pronta a recomeçar a sua vida noutro lado, com uma carga vital quiçá acrescida.  

público - setembro de 2002


GEORGES MINOIS - HISTÓRIA DO FUTURO

GEORGES MINOIS - HISTÓRIA DO FUTURO (dos profetas à prospectiva)
HISTOIRE DE L'AVENIR

Desde os tempos mais remotos da pré-história, o homem nunca deixou de querer conhecer o futuro e de inventar estratagemas para o dominar. Não era já para assegurar a caça futura que os nossos longínquos antepassados representavam bisontes trespassados de flechas nas paredes das cavernas? 
Dos processos de adivinhação inventados pelos povos da Antiguidade até aos métodos «científicos» elaborados pelos prospectivistas actuais, os meios de predizer o futuro são completamente diferentes. Mas cada época sentiu a necessidade de sonhar o futuro, para o melhor e para o pior: houve os falsos profetas da Idade Média, os astrólogos da corte, no Renascimento, ou ainda as mulheres que liam a sina, no Grande Século. Os filósofos das Luzes tentaram, à sua maneira, traçar as grandes linhas do futuro, sem conseguirem matar o irracional: o magnetismo, o sonambulismo e outras formas de espiritismo conheceram um crescente sucesso no Século XIX, ao mesmo tempo que surgiam novos profetas a anunciar um mundo melhor.
Oráculos, profetas, previsões, utopias, todas as antecipações que o homem foi elaborando, ao longo dos séculos, nunca se realizaram, mas são o reflexo das suas esperanças e dos seus medos. O homem de 1900 acreditava estar na alvorada de um século radioso. O do ano 2000 já não acredita nisso, mas, se os futuristas deixaram de pretender desempenhar o papel de profetas, os astrólogos e os videntes continuam a servir para tranquilizar muita gente, à falta de conseguirem predizer o futuro.


teorema - março de 2000

    


PEDRO BANOS - OS DONOS DO MUNDO